Poesias urbanas, do cotidiano, da natureza das coisas, são temas do poeta. Seu universo poético varre, principalmente, os poemas curtos, incluindo haicais e aldravias, além de outros, sínteses de variadas inspirações filosóficas e mundanas.
sábado, julho 22, 2006
Avessos misteriosos do pisciano
Avessos misteriosos do pisciano:
postar-se meio à multidão
só para refletir
sobre sua própria solidão.
Ou permanecer em casa
com seus calangos selvagens
assumir sua pose de camaleão,
camaleão moderno, bem dito,
com as cores de sua fantasia
e pensar em números:
dois oito meia, três oito um
para o norte ou para o sul.
São os números das rodovias
jogados na roleta da loteria
torcer para um acaso bem sucedido.
São margens para simulações
das estradas
Os rios hoje não são navegáveis
montanhas estão desmatadas
Navegar. É preciso.
Sol se despede de Câncer
conspirações menores não têm importância
atuações piscianas do momento
aguardam grandes viradas de mesa.
Aspiram grande
conspiram do mesmo tamanho
de sua percepção.
Hora de partir para a ação
Buscar locus da intuição
Pegar no leme do barco
Minas não tem mar
Pegar então aquele carro velho
escolher um rumo e partir
Moc, Bahia, Goiás
Vitória, Rio, São Paulo .
Sertão vai virar mar
Que se aprenda logo logo
a navegar. É preciso.
Bobagens: insanidades?
Bobagens faladas
soltam-se no vento
viram evento
notícias de jornal televiso.
Bobagens escritas
saem no segundo caderno
do jornal de domingo.
E as minhas bobagens?
Transformo-as em poesia
coloco-as num blog
metamorfoseam em bloesia
(ou seria bloguesia?)
Mas aquelas bobagens mais insanas
que não podem ser vistas
na sala de visitas
eu as engarrafo
enterro de noite num buraco de terra
e só me arrisco a desenterrá-las
depois de anos
quando provavelmente
se gaseificaram
e, quando abro a garrafa,
elas se evaporam como acas mau-cheirosas.
sexta-feira, julho 21, 2006
Sonoridade Nº II
na garoa da gruta
se escuta.
Uma plumagem colorida
na margem perdida
se agita.
Na pausa da fome
um naco se come
da marmita.
Teu corpo em minha cama
um olhar que se derrama
me felicita.
Sonoridade Nº I
A saliência do sino
o silencia.
Um silêncio
soa em si menor:
sonata suave
sai de si.
Um cintiliar sonoro
sacode o suor
da saudade.
E o silêncio,
sábio silêncio
das secas sonoridades,
salva minha alma
da saturação.
Re-ame
Re-ame
Reclame.
Reclame muito
até o desamor desaparecer
no depósito de lixo
e ser icinerado como bicho
morto.
Torto esse desamor.
Sem louvor.
Vexame.
Re-ame
Reclame do torpor reacendido
na vaga do amor-desamor.
Re-exame
de um a dez todos os pecados
gravados nas tábuas das leis
rasgados
algumas leis devem ser revistas
desobedecidas
re-editadas
como medidas provisóras
e votadas
voltadas para o nada.
Vexame
reclame
re-arme
desarme
não desame.
Me ame.
quarta-feira, julho 12, 2006
Escritura da dança
se desfaz no movimento
Leitura da dança
permanece por um momento
Movimentos são deslocamentos
Momentos são efêmeros
Corpo estava aqui
neste espaço que se consolida
com sua presença
Não está mais.
Pêndulo em movimento
vai e vem
mas o que vai
não é o mesmo que vem.
Tempo que se eterniza
no movimento
que se sincroniza
se desmancha
neste corpo que dança.
Eterno e síncrono
etéreo movimento.