quarta-feira, setembro 06, 2006

eclipses e sofismas


Eclipse lunar
fragiliza piscianos
aviva questionamentos
agita
enerva
produz insônia
torna impossível a espera do amanhecer.

Levanto-me como lobisomem

caminho pelas ruelas tortas
de bairros periféricos belohorizontinos
assusto transeuntes.

Prefiro aconchegar-me no interior dos muros de pedra.

Companhia dos calangos
traz harmonia.

Passa o eclipse

(ainda bem, não são duradouros)
fantasmas desaparecem
mundo volta ao normal.
Tudo são sofismas
grandes cismas
das relações humanas.

domingo, setembro 03, 2006

Mulheres botões de rosas


Algumas mulheres são como botões de rosa
quando desabrocham
ou quando desfolham.
Nunca são flores naqueles momentos de calma,
de observação compenetrada,
quando amamos simplesmente o cheiro,
a cor,
a doçura,
a leveza,
o balanço ao vento.
Têm estes momentos também,
mas são,
principalmente,
movimento:
chegada ou saída;
para o alto ou para baixo;
brisa ou vendaval;
cumulus ou nimbus;
jazz ou chorinho;
comédia ou terror;
silêncio ou burburinho;
beijos ou mordidas;
gritos ou sussurros.
Ainda bem que gosto de cuidar de flores.
Desde quando nascem
até quando viram adubos.

Olhar em cacos


Cristal jogado ao chão se parte
em mil pedaços irrecuperáveis.
Cristalino dos olhos quebra igual.
Tentativas de recomposições do olhar
aumenta ou diminui astigmatismos.
Mas não deforma as formas nem as imagens
da mulher que queremos.
Apenas a vemos diferente
mas a queremos talvez mais.
É o olhar que se quebra
não a imagem.
Esta se recola em fragemtos
no fundo da retina.



A lata do poeta



Sou daqueles que lê manual de instruções.
Isso ajuda às vezes,
principalmente para dar aquele tempo
para que os afoitos pensem.
Para que serve o objeto?
E o amor-objeto, tem validade?
Ele cabe na lata do poeta?
Amor-capacho só serve para que dancem em cima
com sandálias de salto alto?
Se espremermos as paixões elas ficam vermelhas
e cremosas como massa de tomate?
Mistérios também tem data de validade?
Untarei-me com o creme dessas emoções.
Quem sabem ganho uma lambida!

sábado, setembro 02, 2006

regras da cosmologia



Boca desenhada em frutas
corpo magro maduro
carinho e timidez nos olhos
medo no semblante
vontades e coragem.
Sem acreditar
em próprias ações
Agiu.
E calou-se.
Medo de sua própria consciência?
Se não gosta das respostas
melhor perguntar de forma diferente:
regras da Cosmologia
O que fez para você mesma hoje?

Poesia depois do hosróscopo


Consigo escrever
depois de ler meu horóscopo
aquele pedacinho de fim de página.
Sou Peixes, signo terminal
escorregadio
cheio de fé e paixão
recebe emanações de todos os planetas, dizem.
Estamos mais fracos sem Plutão?

Branco súbito e silêncios doentios



Deu um branco súbito
Passei a enxergar tudo preto
Branco e preto são minhas cores
Excesso e ausência cromática
Visão de mundo
Esquecimento
Forma de sobrevivência
Esquecer para viver
Lembrar para morrer aos poucos.

Ainda sou amante dos silêncios
Todos os silêncios do mundo
Reunidos em meu pensamento
Conduziriam à vida eterna
Submerso em imenso nada?
Então aceito alguns barulhos:
Canto de pássaros
Som das águas
Vozes femininas em momentos de ternura
Algumas músicas
Para tecer a vida.

O que fazer com ruídos de cidades?
Que equilíbrio para cores e sons?