Sou apenas um homem
Membro de uma raça antiga
mas nem tanto.
Apesar das catástrofes
A raça humana se espalha pelo mundo
Ocupa todos os espaços:
Procuro uma região tropical
Ainda não visitada pelo homem
Nem vista por satélite.
Existe? Creio que não.
Poesias urbanas, do cotidiano, da natureza das coisas, são temas do poeta. Seu universo poético varre, principalmente, os poemas curtos, incluindo haicais e aldravias, além de outros, sínteses de variadas inspirações filosóficas e mundanas.
Sou um espectador,
quero o espectáculo
quero a obra de arte
não a realidade empírica da vida.
Essa, eu a vivo cotidianamente
mesmo sabendo que ela nos engana.
O espectáculo, quero transforma-lo em realidade.
De qualquer modo,
a vida é um fenômeno
(espectáculo) puramente estético
onde espectador e actor se mesclam
na contemplação e no saboreamento
dos prazeres clássicos quase imortais
desde Homero e Sófocles.
Existência do mundo
é fenômeno estético
ou é a estética do mundo
um fenômeno aleatório?
Sequência de jogos de dados
duplo seis transforma natureza
evoluindo não se sabe para onde?
Ou existência do mundo,
fenômeno das probabilidades
sequenciamento frutuoso do caos?
O artista é um pessimista
puro e romântico?
Otimistas, por opção intelectual,
não tem chances nas artes?
No carnaval, visto-me de palhaço
e aprendo melhor a rir
ou fantasio-me de mulher
e aprendo melhor a amar
ou me transformo em calango
e aprendo a melhor ver as entranhas
dos muros de pedra.
O encantamento dionisíaco das metamorfoses
por momentos, apesar das realidades,
permitindo viver um pouco além delas,
é o encantamento singular do carnaval.
Agora, aprender com as metamorfoses,
é assunto pessoal.