segunda-feira, janeiro 03, 2011

CURTA Nº 17



Menino, confessava por obrigação.
- Seus pecados?
- Não os tenho.
- Deixa de ser besta, rapaz! Não tem olhares pecaminosos às meninas do colégio?
Deixei de ser besta.
Passei a ter olhares pecaminosos às meninas do colégio.
O que me valia cinco ave-marias e três pais-nossos.
E a cumplicidade das meninas do colégio.




(Após leitura de Mario Benedetti em "Gracias por el fuego")

CURTA Nº 16



Na trilha do Amor
símbolos de Vênus.
Tomei um
e ofereci-me a uma donna.
Meu primeiro sexo público
com uma desconhecida:
mas amei pensando n'Ella.



sábado, dezembro 18, 2010

CURTA Nº 15



Sonhar contigo
tempo antigo
cabeleiras e cetins.
Fotos desbotadas
tardes amareladas
colinas e marfins.


CURTA Nº 14 (NA RUA)




Ella
nua
crua
negra
pura
dura
invade-me.

E explode
a rua.

CURTAS Nº 13 (mel)



Comprei um pote de mel
de flores silvestres.
Provei-o com o dedo.
Lembrei-me de uma boca
tive saudades de um beijo.
Senti, na língua, a doçura de um corpo.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

PALAVRAS E SILÊNCIO



Palavras, algumas,
precisam ser gritadas
para existirem,
depois dicionarizadas.


Palavras, outras,
melhor sussuradas,
seja ao vento
e longe encaminhadas,
seja às orelhas
de uma amada.


Palavras, umas,
preferem ruídos e chiados
em ressonância transmitidas.


Palavras, comuns,
soam normalmente suaves
por pessoas visivelmente calmas,
sem grandes apelos dos sentidos.


Mas o silêncio, este,
só entendido por outro silêncio.
Aquele de dentro,
cultivado por poucos
nada normais medianos.
Às vezes lúcidos.


Quem ama o silêncio
é capaz de amar um mundo.
Até mesmo outra pessoa.

sexta-feira, novembro 19, 2010

RELEITURAS ROSEANAS 12





Do engano, fabrica-se acertos.
O erro, certifica-se em cartório:
falseia-se e averdadeira-se,
faz-se de contas que foi tragédia.
Ajustada nas batentes jornadas
comedia-se, renovada história.
O antes torto, retifica-se
o excêntrico, circunferencia-se.
Tudo se acerta na vida
apesar de árduas trajetórias:
deuses e demônios são transitórios.