Poesias urbanas, do cotidiano, da natureza das coisas, são temas do poeta. Seu universo poético varre, principalmente, os poemas curtos, incluindo haicais e aldravias, além de outros, sínteses de variadas inspirações filosóficas e mundanas.
terça-feira, janeiro 04, 2011
VALE A PENA VIVER N 12
Tristeza tem seus méritos:
alegres, pensamos naquilo que não somos,
acreditamos em verdades-meias
nas ilusões inacabadas
e mal tecidas das vivências irreais.
Alegres, às vezes, somos perturbados por maus pensamentos
como a crença de que a vida pode ser fácil,
a vitória virá com cânticos épicos.
Tristeza tem suas qualidades:
trazer, em retorno, a realidade,
com suas dores, seus odores e tambores
surdos no cerebelo,
e o medo, irmão mais velho da coragem.
Que tristeza e alegria se alternem, ao dia.
Que a tristeza traga segurança
de alegria que se recria
sem esgotar-se.
Vale a pena viver esta alternância
do triste que fica alegre
do surreal que se realiza.
segunda-feira, janeiro 03, 2011
CURTA Nº 17
Menino, confessava por obrigação.
- Seus pecados?
- Não os tenho.
- Deixa de ser besta, rapaz! Não tem olhares pecaminosos às meninas do colégio?
Deixei de ser besta.
Passei a ter olhares pecaminosos às meninas do colégio.
O que me valia cinco ave-marias e três pais-nossos.
E a cumplicidade das meninas do colégio.
(Após leitura de Mario Benedetti em "Gracias por el fuego")
CURTA Nº 16
Na trilha do Amor
símbolos de Vênus.
Tomei um
e ofereci-me a uma donna.
Meu primeiro sexo público
com uma desconhecida:
mas amei pensando n'Ella.
sábado, dezembro 18, 2010
CURTA Nº 15
Sonhar contigo
tempo antigo
cabeleiras e cetins.
Fotos desbotadas
tardes amareladas
colinas e marfins.
CURTAS Nº 13 (mel)
Comprei um pote de mel
de flores silvestres.
Provei-o com o dedo.
Lembrei-me de uma boca
tive saudades de um beijo.
Senti, na língua, a doçura de um corpo.
quarta-feira, dezembro 15, 2010
PALAVRAS E SILÊNCIO
Palavras, algumas,
precisam ser gritadas
para existirem,
depois dicionarizadas.
Palavras, outras,
melhor sussuradas,
seja ao vento
e longe encaminhadas,
seja às orelhas
de uma amada.
Palavras, umas,
preferem ruídos e chiados
em ressonância transmitidas.
Palavras, comuns,
soam normalmente suaves
por pessoas visivelmente calmas,
sem grandes apelos dos sentidos.
Mas o silêncio, este,
só entendido por outro silêncio.
Aquele de dentro,
cultivado por poucos
nada normais medianos.
Às vezes lúcidos.
Quem ama o silêncio
é capaz de amar um mundo.
Até mesmo outra pessoa.
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