quinta-feira, março 03, 2011

VOCABULÁRIO MANAUARA



"Quem come jaraqui
não sai mais daqui".
Tem lá na feira
da pa-nair.
Se viver na capital
bom ter um jirau,
ou uma maromba
se no interior for morar
para melhor pescar.
Para transitar pela cidade
requisite os serviços de um pirangueiro.
Querendo ver o tronco da samaumeira 
viaje de paraíso verde
a gaiola do Rio Negro.
Vale o mesmo para comer
bolinho de pirarucu
na ilha de Marapatá.
No caminho verá a canarana
a falsa cana
capim flutuante,
mas não verá
(apenas saberá)
da pedra de uatumã
que empresta cor negra ao rio.
Mesma do rio Cipó
nos espinhaços das gerais?
Através dos caminhos d'água
chegará ao parque do janauari
para o canto ouvir
do patola do igapó
nos galhos da miratinga
a árvore branca
ou da mirapiranga
de madeira escura.
Mas não seja banzeiro
nem coma jaraqui
se quiser sair dali.

CURTA 40



A vida é um artefato
de uso limitado e temporário.
Viver é um artifício
de comunhão com naturezas.
Que razões para afastamento simbiótico?

CURTA 39

Que mulher é essa? 
Lê poesia e transpira
como se corresse de um susto!

(para Olga Valeska)

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

CURTA 38



Não sei para onde estou indo.
Uma boa pergunta é:
como vou saber 
quando chegar?

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

CURTA 37



Tempo marca seus rastros no caminho
por onde atravessamos:
toma suas distâncias.
Chamam esses seus traços
de envelhecimento.

sábado, fevereiro 19, 2011

CURTA 36



Contar histórias sem receitas:
caldeirão das ignorâncias
em fogo brando,
memórias reativadas
pelos carbonos das erupções.

CURTA 35

Bambuzais da terra de meu povo
sibilavam com o vento:
nada de mais.
No entanto, eles só existiam
porque o silvo era bonito
e o povo aproximava
para aprender com a orquestração vegetal.