sexta-feira, julho 25, 2014

COLEÇÃO DE ESTRANHEZAS I e II

I

Minha mulher passarinho
assume gênero avícola:
agora só come sementes.

II

Mecanhumanimal,
homem animal mecânico
em crise de identidade
vomita parafusos de rosca direita.


sexta-feira, julho 04, 2014

RELEITURAS ROSEANAS 19


"Coragem carece de ter prática",
expõe medo como objeto de memória.
Coragem e medo se forjam
na temperança de treinamentos,
na pelejança de sol a sol.
O sol, que nos ilude
tirando trevas do mundo,
só brilha em atmosferas viáveis.
Sem o sol, o futuro é negro,
coragem e medo se antecipam.

CURTA 234


Depois do encontro inesperado
meteu, num bolso, o canto do sabiá
e no outro, chacoalhando com moedas,
o beijo daquela moça sorrideira.
Partiu itinerante, feliz,
pisando em cheiros de mirabelas.

segunda-feira, junho 30, 2014

RELEITURAS ROSEANAS 18


Bonanças e tempestades em desalinho
rascunham o passado
em novas realidades:
novas histórias modificam-no
em páginas, contraditórias, reescritas.
Cavalo passou arreado três vezes 
em minha vida: remontei-o.
Três vezes a felicidade bateu
à minha porta: agarrei-me a ela,
não desgrudo nem desapego.
Três vezes as ilusões perdidas
reapareceram: revivo-as
sempre que o coração se aquece.
Três é um número de boa sorte?

terça-feira, junho 24, 2014

RELEITURAS ROSEANAS 17


No descabimento de minhas lembranças
recupero meus últimos olhares;
no descumprimento de minhas palavras
recomponho minhas posturas;
na desfaçatez de minhas andanças
reafirmo minhas trajetórias.
Somos mensageiros de querelas 
descabidas: ausências e querências.

domingo, junho 22, 2014

quarta-feira, junho 11, 2014

TARDIA, ARDIA


Ela sempre tarde
e me arde no frescor das madrugadas
e me consome no sono, no sonho, nas insônias,
nas pernas entrelaçadas nos lençóis, nos anzóis
em que me pesco e me perco nas águas doces,
sabores doces como amêndoas,
olhos amendoados, cabelos enegrecidos.

Negros eram meus cabelos da juventude,
jovem quando era, cabelos alongados,
amarrados em rabos enrabichados nas morenas
tardias para leitores incrédulos, crentes, cientes
de sua serena sereia que serpenteia nas águas
de março, abril, maio, e junho
que julho já chega e o ano quase se acaba.