Poesias urbanas, do cotidiano, da natureza das coisas, são temas do poeta. Seu universo poético varre, principalmente, os poemas curtos, incluindo haicais e aldravias, além de outros, sínteses de variadas inspirações filosóficas e mundanas.
domingo, abril 12, 2015
A BAILARINA
Eu, ela, a bailarina
folhas secas, a bailarina
galhos secos, a bailarina
terra vermelha, a bailarina
Stravinsky, a bailarina
a consagração, a bailarina.
No pé da montanha ensolarada
às cinco da tarde, a bailarina
o sol, a bailarina
Nós vós eles, a bailarina
a dança dos micos, a bailarina.
Eu danço minha imobilidade
no passo da bailarina
que se passa em bicho
que se chega a monstro
que se reforma em gente,
na perdição da Arte.
(para Dudude, a bailarina)
quarta-feira, março 25, 2015
CURTA 242
Eu escrevo
mas não sou quem eu descrevo.
Minha representação escrita,
não sei se sou melhor ou pior.
O texto vem a meu chamado.
Eu não. Regateio.
sábado, março 21, 2015
CURTA 241
Entre a rainha da beleza
e a sombra escondida na sala
apenas um passo, caído.
O brilho dos olhos se apaga,
a memória, se recria.
Pelo menos.
sábado, março 07, 2015
CURTA 240
Bebo uma cerveja
sinto o sabor das águas,
águas das montanhas de Minas.
Boas águas, boas cervejas.
Preservemos águas
em favor de nossas cervejas.
sábado, fevereiro 14, 2015
A DERROTA DOS VENCEDORES
Vencedores da vida,
cuidado com a derrota que te ronda.
A derrota para a vaidade
a derrota para a cegueira.
Que risco existe?
O de se achar o melhor,
algo impossível.
O melhor, se existe,
é transitório.
Pode não estar mais onde se espera.
ENCENAR OU ENSINAR?
Encenar, ou ensinar?
Que diferença faz?
Meto em cena,
transbordo sinos.
Ensino, em cena,
as tragédias anunciadas
ou inesperadas!
segunda-feira, dezembro 15, 2014
ESTRANHOS, OS HERÓIS
Precisamos de heróis?
Fale-me de um herói
que te comunico uma tragédia.
Criaturas de estranhos destinos:
abandonados pelos pais
nas entranhas das florestas;
solitários cavalheiros ou damas
nas vastidões das humanidades;
depressivos cidadãos
de humores aquosos.
Escondem-se de feitos duvidosos
em duplas identidades.
Ambas falsas?
Porque precisamos de heróis?
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