Poesias urbanas, do cotidiano, da natureza das coisas, são temas do poeta. Seu universo poético varre, principalmente, os poemas curtos, incluindo haicais e aldravias, além de outros, sínteses de variadas inspirações filosóficas e mundanas.
domingo, fevereiro 05, 2017
ANÚNCIO
Minha bicicleta Peugeot,
dez marchas,
quarenta anos de uso,
tem manchas na pintura
que só pintura nova resolve.
Não a pinto,
gosto de suas manchas.
Minha bicicleta Peugeot,
dez marchas,
eu a trouxe da França.
Foi presente de um amigo
de uma amiga.
Não a usava mais.
Minha bicicleta Peugeot,
dez marchas,
levou-me a Versalles
às matas de Rambouillet
às margens da Pampulha
e outros lugares.
Minha bicicleta Peugeot,
dez marchas,
não é dessas modernas,
leves de fibra de carbono:
sempre chego por último
em corridas.
Minha bicicleta Peugeot,
dez marchas,
NÃO ESTÁ À VENDA.
quarta-feira, dezembro 14, 2016
TEXTO E CONTEXTO
Atrás do texto tem o contexto
Antes do braço fica o antebraço
Após o gosto vem o desgosto
(ou
antes?)
Acima do peso tem sobrepeso
Abaixo do solo há o subsolo.
É na terra que se desenterra
A desnaturada natureza.
Em sua boca desemboca
O desjejum do desamor
Embora despeito se desiste em meu peito
Apenas carrego a desfaçatez
De fazer o descarrego
De minhas desventuras
E viver minhas alegrias
Com maestria desregrada
Já que regras mudam
Com a despolitização dos saberes.
quinta-feira, setembro 22, 2016
CURTA 275
Quando morrer
não quero céu nem inferno:
quero ir para a montanha
(religião não tenho).
Olhar o horizonte do alto da serra.
domingo, setembro 11, 2016
CURTA 274
Não me adapto ao leito de Procusto
nem por isso quero ter as pernas cortadas.
Grande sou, grande permaneço.
Maior que eu físico sou eu pensador!
sexta-feira, setembro 09, 2016
CURTA 273
Ninguém se surpreende com as bicicletas
duzentos anos depois.
Quem explica, corretamente,
como se equilibra
sobre duas rodas, em movimento,
e se desequilibra quando parada?
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