Poesias urbanas, do cotidiano, da natureza das coisas, são temas do poeta. Seu universo poético varre, principalmente, os poemas curtos, incluindo haicais e aldravias, além de outros, sínteses de variadas inspirações filosóficas e mundanas.
sábado, março 08, 2014
MINHA CARA
Minha cara não tem cara de quem dá a cara a tapas;
minha cara não tem cara de quem é cara dura;
minha cara não tem cara de quem é cara de pau;
minha cara não tem cara de quem tem a cara lavada.
Minha cara tenta se parecer
o mais possível comigo mesmo,
por isso eu a acaricio,
eu a massageio,
eu a barbeio
e lhe digo: - cara mia -
e a dou a beijos
de outras caras, amadas.
E a carapuça não entra
em minha carapaça.
CURTA 227
Não sei se estou de férias
ou, pelo trabalho, de luto.
Penso que, nem alegre, nem puto,
estou na fase "deixa que eu chuto":
a bola enviezada
a pessoa emburrada
a piada escrachada
o pau da barraca armada.
quinta-feira, fevereiro 06, 2014
CURTA 226
Não me encontro nas nuvens.
Estou, literalmente, acima das nuvens,
meu estado natural e simples.
Deixei um rabo preso na Terra
caso tenha que por os pés no chão
sem risco de cair das nuvens.
terça-feira, dezembro 24, 2013
SABEDORIAS CINEMATOGRÁFICAS 2
"A vaidade é meu pecado predileto",
disse o diabo (Al Pacino)
a seu advogado (Keanu Reeves)
em cena final de O Advogado do Diabo,
dirigido por Taylor Hackford.
sábado, dezembro 21, 2013
CURTA 225
No rio nada dura,
nem paz de canoeiro.
O avolumado das águas
tudo leva:
canoa, canoeiro e paz.
O remanso da margem
turbinado redemoinho vira.
RELEITURAS ROSEANAS 16
Sou "homem de família,
merecedor de silêncio..."
É em silêncio que se aprecia
as belezas dos sons
e a clareza das notas.
Em bocas fechadas,
certezas de convencimentos.
Em silêncio nos conhecemos,
desnecessidade de espelhos,
nos diplomamos na vida
para conduzir em travessias,
seja de rios caudalosos,
seja de veredas lacrimejantes.
Em silêncio farejamos mundos
e suas aleatórias armadilhas,
desfazemos nós de garganta,
secamos lágrimas escorrentes,
soltamos o primeiro sorriso,
até que ele se abre, escaldante,
naquele riso, agora sim,
em altos sustenidos.
CURTA 224
Flor é flor, mas despetala.
Alegria se desalegra
só de quando em vez.
Aquela, de sorriso solto,
sempre volta a se apoderar do rosto
em que se hospeda.
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