Poesias urbanas, do cotidiano, da natureza das coisas, são temas do poeta. Seu universo poético varre, principalmente, os poemas curtos, incluindo haicais e aldravias, além de outros, sínteses de variadas inspirações filosóficas e mundanas.
terça-feira, julho 29, 2014
CURTA 235
Jovem sobre máquina
pensa ter dela a potência:
engana-se. Em imprudência
perde-se na esquina
da vida, traquina.
Fica a máquina, que o domina.
sexta-feira, julho 25, 2014
COLEÇÃO DE ESTRANHEZAS I e II
I
Minha mulher passarinho
assume gênero avícola:
agora só come sementes.
II
Mecanhumanimal,
homem animal mecânico
em crise de identidade
vomita parafusos de rosca direita.
sexta-feira, julho 04, 2014
RELEITURAS ROSEANAS 19
"Coragem carece de ter prática",
expõe medo como objeto de memória.
Coragem e medo se forjam
na temperança de treinamentos,
na pelejança de sol a sol.
O sol, que nos ilude
tirando trevas do mundo,
só brilha em atmosferas viáveis.
Sem o sol, o futuro é negro,
coragem e medo se antecipam.
CURTA 234
Depois do encontro inesperado
meteu, num bolso, o canto do sabiá
e no outro, chacoalhando com moedas,
o beijo daquela moça sorrideira.
Partiu itinerante, feliz,
pisando em cheiros de mirabelas.
segunda-feira, junho 30, 2014
RELEITURAS ROSEANAS 18
Bonanças e tempestades em desalinho
rascunham o passado
em novas realidades:
novas histórias modificam-no
em páginas, contraditórias, reescritas.
Cavalo passou arreado três vezes
em minha vida: remontei-o.
Três vezes a felicidade bateu
à minha porta: agarrei-me a ela,
não desgrudo nem desapego.
Três vezes as ilusões perdidas
reapareceram: revivo-as
sempre que o coração se aquece.
Três é um número de boa sorte?
terça-feira, junho 24, 2014
RELEITURAS ROSEANAS 17
No descabimento de minhas lembranças
recupero meus últimos olhares;
no descumprimento de minhas palavras
recomponho minhas posturas;
na desfaçatez de minhas andanças
reafirmo minhas trajetórias.
Somos mensageiros de querelas
descabidas: ausências e querências.
domingo, junho 22, 2014
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