sexta-feira, agosto 11, 2006

Lua em Peixes


Amor em baixa!
Mas com Lua em Peixes
Eu não me importo.
Irei nadando pelo éter
Até nosso pequeno astro.



quarta-feira, agosto 09, 2006

Pensamento migrante



Meu tempo parte num momento sólido
aquele onde o peso das horas entorta os ponteiros.
Sonhos sugados pelo buraco negro
permanecem vivos em mundos paralelos
em cabeças de nossos contrários perfeitos.
Gostaria de encontrar meu contrário perfeito.
Talvez nos anulássemos como matéria e antimatéria
E nos tornaríamos nada?
Não gostei de meu pensamento
mas não consigo controlá-lo,
ele voa mais que albatroz migrante entre brasil e áfrica.

Bocas queimadas

Quantas rupturas preparamos?
Quantos desastres previmos no ano anterior?
Um sem-número de separações litigiosas?
Arrancar a boca que eu beijei e jogá-la aos leões?
Eu moldei essa boca em barro,
queimei no forno e pintei.
Quero, na verdade, guardá-la mais um pouco.
Semana próxima eu a partirei em mil pedaços.
Contente?

Chuvas de metano


Chuva de metano em Titã
Lua de Saturno.
Quando Saturno passar por Peixes
deixará suas chuvas tóxicas
em meu universo de pedras
e jardim de cactos?

Que fronteiras entre ciência e ficção?
Arte precipita-me
com leituras tecnológicas, claro!
Meu desejo é expandir fronteiras
experimentar novas maneiras
mudar cenários com inspiração
escrever minhas letras com transpiração.

terça-feira, agosto 08, 2006

Minhas conjunções



Pontos e vírgulas, reticências...
Reminicências de uma oração sem sujeito
nem sujeito oculto.
Sombras de uma letra bordada
no coração do poeta
com agulha de crochê.
Aquele verbo mal dito
em hora imprópria
calou minhas orações subordinadas.
Restam-me conjunções.
Não sei o que faço com elas:
se as como com sal e pimenta
se amo-as desenfreadamente.


sexta-feira, agosto 04, 2006

Renascer tuas vírgulas


Irei catar teus cacos
reescrever teus rótulos
beber teu coquetel de asteriscos
sem diminuir teus arte-riscos
nem tua dose de verdade
remonto tua pele
e desenho nela
o nome de teu amado
com letra de bordado
cheio de pudores
pleno de pretextos
para renascer tuas vírgulas.


Olhos de águia



Vênus me oferece olhos de águia
para enxergar longe
ver se o caminho está livre.

Eu só quero ver o pôr do sol
E aquela boca em cerâmica
modelada por mim
Ontem depois do jantar.