Poesias urbanas, do cotidiano, da natureza das coisas, são temas do poeta. Seu universo poético varre, principalmente, os poemas curtos, incluindo haicais e aldravias, além de outros, sínteses de variadas inspirações filosóficas e mundanas.
domingo, setembro 03, 2006
A lata do poeta
Sou daqueles que lê manual de instruções.
Isso ajuda às vezes,
principalmente para dar aquele tempo
para que os afoitos pensem.
Para que serve o objeto?
E o amor-objeto, tem validade?
Ele cabe na lata do poeta?
Amor-capacho só serve para que dancem em cima
com sandálias de salto alto?
Se espremermos as paixões elas ficam vermelhas
e cremosas como massa de tomate?
Mistérios também tem data de validade?
Untarei-me com o creme dessas emoções.
Quem sabem ganho uma lambida!
sábado, setembro 02, 2006
regras da cosmologia
Boca desenhada em frutas
corpo magro maduro
carinho e timidez nos olhos
medo no semblante
vontades e coragem.
Sem acreditar
em próprias ações
Agiu.
E calou-se.
Medo de sua própria consciência?
Se não gosta das respostas
melhor perguntar de forma diferente:
regras da Cosmologia
O que fez para você mesma hoje?
Poesia depois do hosróscopo
Consigo escrever
depois de ler meu horóscopo
aquele pedacinho de fim de página.
Sou Peixes, signo terminal
escorregadio
cheio de fé e paixão
recebe emanações de todos os planetas, dizem.
Estamos mais fracos sem Plutão?
Branco súbito e silêncios doentios
Deu um branco súbito
Passei a enxergar tudo preto
Branco e preto são minhas cores
Excesso e ausência cromática
Visão de mundo
Esquecimento
Forma de sobrevivência
Esquecer para viver
Lembrar para morrer aos poucos.
Ainda sou amante dos silêncios
Todos os silêncios do mundo
Reunidos em meu pensamento
Conduziriam à vida eterna
Submerso em imenso nada?
Então aceito alguns barulhos:
Canto de pássaros
Som das águas
Vozes femininas em momentos de ternura
Algumas músicas
Para tecer a vida.
O que fazer com ruídos de cidades?
Que equilíbrio para cores e sons?
quarta-feira, agosto 30, 2006
Palavras do Rei
Não se perca
nas curvas da estrada de Santos
nem debaixo dos caracóis de meus cabelos:
palavras do Rei.
não se perca
entre as lutas fictícias entre o bem e o mal
certo e errado
qualidades e defeitos
luzes e sombras
branco e preto
jovem e velho
eu e você:
palavras das luzes urbanas.
sexta-feira, agosto 25, 2006
Amor-capacho
Reorganizei meus pelos
Lavei-os com amaciante de roupas
Só para ser um piso macio
Para tuas sandálias
E teu salto alto.
Que deixem marcas profundas
Quando sapatearem sobre mim
Aquele jazz de New Orleans
Ressurgida de sua katrina
Com a dor dos furacões enraivecidos
Chorando as perdas de seus violões
E cantos roucos das ruas.
Mas tua dança
Sobre o amor-capacho
Não será de raiva,
Nem de vingança,
Será de esperança.
Estando em baixo
(por baixo nunca estou)
Vejo as curvas dos tornozelos
Sob um fundo azul
Vejo as estrelas e a lua
Se noite for.
Lavei-os com amaciante de roupas
Só para ser um piso macio
Para tuas sandálias
E teu salto alto.
Que deixem marcas profundas
Quando sapatearem sobre mim
Aquele jazz de New Orleans
Ressurgida de sua katrina
Com a dor dos furacões enraivecidos
Chorando as perdas de seus violões
E cantos roucos das ruas.
Mas tua dança
Sobre o amor-capacho
Não será de raiva,
Nem de vingança,
Será de esperança.
Estando em baixo
(por baixo nunca estou)
Vejo as curvas dos tornozelos
Sob um fundo azul
Vejo as estrelas e a lua
Se noite for.
segunda-feira, agosto 21, 2006
Razão e felicidade
Não quero ter sempre razão
Gostaria de sempre ser feliz.
Tenho sucesso nas duas proposições:
quase nunca tenho razão
por desacertos de minha inteligência
ou acertos de minha ignorância
(reivindico meu sagrado direito à ignorância)
e sou feliz por opção.
E bem-humorado por obrigação
e respeito ao outro.
Gostaria de sempre ser feliz.
Tenho sucesso nas duas proposições:
quase nunca tenho razão
por desacertos de minha inteligência
ou acertos de minha ignorância
(reivindico meu sagrado direito à ignorância)
e sou feliz por opção.
E bem-humorado por obrigação
e respeito ao outro.
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