domingo, outubro 08, 2006

BARREIRAS E FENDAS



A fenda não é a questão:
é o caminho
a vereda
a descoberta
o passo possível de ser seguido
a trilha a ser percorrida
apesar de toda imprevisibilidade
dos caminhos desconhecidos
a serem desbravados.


A questão é a fronteira,
a barreira a ser transposta
o obstáculo (in)transponível.
Superação da barreira
exige esforço
transpiração e inspiração:
limite e criação
onde arte e ciência se juntam.


sexta-feira, outubro 06, 2006

Memórias do futuro



Memórias do futuro
se escrevem agora
no esquecimento do passado
naqueles objetos perdidos
ao apagar das luzes do tempo de hoje
nas pegadas dos povos migrantes.

Esquecer é sobreviver:lembrar?
apenas o que fazer

nos intervalos
entre pensar e agir.

O melhor do passado?
Ele passou,
algumas marcas evidentes deixou
tatuadas nos corpos

como rugas
como verrugas
como câncer de pele
como enfisemas na epiderme
como brotoejas:
ou uma flor nos jardins das praças
das metrópoles dos fragmentos.

O futuro começa
no instante depois do verso
no primeiro beijo depois do encontro
na estória que se conta agora.

Amanhã visitei o caderno de viagem
escrevi um poema
sobre a memória de hoje.
Amanhã planejei
onde colocar meu passado:
que ele me perturbe não quero.

Memórias do futuro
suplementos da vida
complementos da alma:
aquela que provavelmente ainda terei
depois dos relatos de viagem
nos tempos de criar raízes.

domingo, outubro 01, 2006

Poema singelo



Se te dói o dente
mastigues gelo;
Se o espelho diz - feio,
mudes o corte do cabelo;
Se sentes frio à noite
deixes crescer o pelo
ou me uses como cobertor;
Se precisas de companhia
eu te cuido com zelo;
Se tens perguntas sérias
te respondo com desvelo;
Se me convidas para vadiar
vou tirando o chinelo
te banho em caramelo
te levo a sonhos em amarelo
outras cores eu tiro do prelo
para imprimir em teu corpo
sol nascente em castelo.
Amanhã, se nescessário,
desfazemos o elo
das correntes metafóricas
que nos une pelo cerebelo.


sábado, setembro 30, 2006

Vidas e corridas


A vida é uma tomada de tempo
de qualquer corrida
seja de cavalos
ou de carros velozes.

Você pode ir rápido
ou desacelerar.
No fim dá tudo no mesmo:
é uma questão de estilo
e de potência do propulsor.

Estou numa fase de desacelerar

mas eu me recuso
a não passar a reta de chegada
numa colocação honrosa.

segunda-feira, setembro 25, 2006

respostas virtuais

Respostas virtuais aparecem
do corriqueiro da vida
do rastapé cotidiano
dos olhares pelas janelas indiscretas
do beabá das inocências perdidas
da decodificação do livro da natureza
(preciso aprender a ler).

Este poema pretende-se
clássico de humor mestiço
respostas não existem
só perguntas merecem
um pouco de nossa atenção.

Metáforas áridas

Não sou árido nem úmido
Dostoiévsky é árido
Tostói é úmido.
Impossível transformar
Mundo e vida
Simultaneamente
Sincronicidade inexistente
Temporalidade renitente
Cronografias rabiscadas
Em papel de parede
Marcas de acidez
De vidas relutantes
Ensaios perdidos
Em memórias incansáveis
Passado e futuro se aproximam
No dia de hoje
Mundo e vida
Dentro e fora do corpo
Tais elásticos dialogam
Tensões existenciais inexplicáveis
Entre meu eu
E meus calangos.
Metáforas áridas impossíveis.

Luz e sombra

Desorientação
Dúvida
Descoberta
Surpresa
Sequência natural da busca
Luz e sombra se aproximam
Nas frestas imaginárias
Onde passa a perfeição
Eclipses não descortinam
Veredas
Relações nos pontos de inflexão
Ganham pontos de interrogação:
Voltas longas por trás das montanhas
Ou atalhos pelos túneis escuros
Encontro com novas luzes no final?