Poesias urbanas, do cotidiano, da natureza das coisas, são temas do poeta. Seu universo poético varre, principalmente, os poemas curtos, incluindo haicais e aldravias, além de outros, sínteses de variadas inspirações filosóficas e mundanas.
quinta-feira, janeiro 28, 2010
VALE A PENA VIVER Nº 01
Gosto de cozinhar.
Lavo as vasilhas, limpo a pia e o fogão,
organizo os ingredientes do dia.
Antes de qualquer continuação abro uma cerveja
coloco o copo na prateleira ao lado do fogão
descasco e pico as cebolas:
o primeiro gole vem antes da primeira lágrima
(quem não chora ao descascar cebolas?)
O copo se esvazia aos poucos
entre o cheiro dos temperos
e a leve fumaça que se evolui
como passista de escola de samba
na pista de dança
e aquela provadinha do molho na palma da mão.
O último gole fica para o mágico momento de por a mesa.
E espero o sorriso de aprovação dos comensais.
Isso vale uma vida.
quarta-feira, janeiro 20, 2010
VIAGEM PARA CRONOS
Caminhos
de ida
são os mesmos de volta.
Só reverter os passos
e repisar nos traços
deixados pelos pés.
Caminhos de ida sem retorno
só para Cronos
terra/tempo
com bilhete sem volta.
RELEITURAS ROSEANAS 09
Mistérios, sempre os há
sempre os haverá de ter.
Ensinamentos modernos desvendam alguns
rompendo crenças e tradições
atualizando conhecimentos
evoluindo modernidades.
Outros são insondáveis:
saberes antigos ensinam,
assim devem permanecer.
Insondabilidade de alguns mistérios
reafirmam a perenidade e insolvência
da vida.
Nem tanta modernidade necessitamos.
CULINÁRIA DO SOFRIMENTO
Sofrimento?
Cozinhe-o em fogo lento
tempere-o
para explicitar a dor
e espere
até que seque a água.
O segredo é não ter pressa.
Pegue então a massa sólida
pastosa ou cristalina
(depende da intensidade do sofrimento)
no fundo da vasilha
jogue-o no rio.
E esqueça.
CORA CORALINA
Cora Coralina
cora coralinda
cora linda
linda
linda, cora
cora
vigora
revigora
cora, lina
cora, linda
benvinda
agora.
terça-feira, dezembro 15, 2009
Mãe, mulher outra
Mãe não é mulher.
Mãe é uma imagem de mulher
que se destrói
ao nos tornarmos homem.
Aí, mãe se refaz mulher.
Distante.
Mais próxima que antes.
Mãe é uma imagem de mulher
que se destrói
ao nos tornarmos homem.
Aí, mãe se refaz mulher.
Distante.
Mais próxima que antes.
sábado, dezembro 05, 2009
Fácil difícil
Falar é fácil
Escrever é difícil
Silenciar é muito difícil
....................
Escreve-se em silêncio!
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