Poesias urbanas, do cotidiano, da natureza das coisas, são temas do poeta. Seu universo poético varre, principalmente, os poemas curtos, incluindo haicais e aldravias, além de outros, sínteses de variadas inspirações filosóficas e mundanas.
domingo, maio 09, 2010
CURTA NÚMERO 08
Palavras são sujas:
quando se poemam
clarificam-se
Pedras, dores e poeiras do caminho
iluminam-se
ao arredondamento das frases.
É a força da Poética.
VALE A PENA VIVER Nº 08
O mundo cresce com as metáforas dos poetas
É o barro do chão quem afirma:
Pedra maldita no meio do caminho
Não machuca, transforma-se em palavra
O gorjeio dos pássaros inunda arvoredos
A luz da manhã desbota paredes
Vênus amanhece vez ou outra ao anoitecer
Os seios das mulheres enaltecem-se ao caminhar
O coaxar dos sapos desafia toureiros
As inexplicações dos sábios são incompreensíveis
Aos passos das seriemas.
Para todas as desmedidas da natureza
Quero olhos de lê-las,
Transformar-me, eu mesmo, em metáfora
Ser mumificado em Poesia:
Secularizar-me-ei por isso.
sexta-feira, maio 07, 2010
RELEITURAS ROSEANAS 11
Sujeito irregular na paisagem
Não se enxergava desumanamente postado na praça
Vestido em trajes festivos
Rodeado pela patuléia trapejante
Ofuscando suas mortais feiúras.
Postulava emergências
Maniqueava palavras fugidias
Tentando fazer-se entender.
Massa ignara não compreendia
Pensamentos ambulantes
Somente costumeiramente invocados à repetição.
Desistiu: caminhou.
A turba incrédula
Viu-o desaparecer-se nos portais imaginários
Do fim da rua, no fim da cidade:
O estranho cidadão e seu vocabulário
Descabido no ambiente.
quarta-feira, maio 05, 2010
RELEITURAS ROSEANAS Nº 10
"Amor é vaga, indecisa palavra"
nunca sai da boca solenemente:
ou a ruminamos
nos cantos dos lábios
vergonhosa e sofregamente,
ou a grunhimos
com a língua batendo nos dentes
sonora e largamente.
Nenhuma das duas parece natural:
(nunca é natural)
como se fácil fosse
solfejar decididamente
a palavra sempre esperada
nos ouvidos languidamente.
"Amor é vaga, indecisa palavra"
nas errâncias humanas
nas inquietudes de suas trajetórias
nas impropriedades de seus dizeres.
quinta-feira, abril 22, 2010
sexta-feira, abril 16, 2010
CURTA NÚMERO 06
Sem gripe porcina
Minha febre felina
é erótica sina.
Febre alta que me queima
Vem do calor do desejo
Do ser amoroso.
quarta-feira, abril 14, 2010
VALE A PENA VIVER Nº 07
Despir a mulher
como se fosse a primeira vez
tua e dela:
esse é um dos segredos
da manutenção do encanto
do amor e da vida.
Despi-la em sonhos
noites a fundo
nos silêncios das ausências.
Despi-la com os olhos
em seguida com as mãos
nos sigilos das presenças.
Tatuá-la com agulhas invisíveis
cobri-la de palavras doces
vesti-la com sorrisos e beijos
envolvê-la com tua própria pele.
Deuses, escambo mil vidas
por esses momentos mágicos
de convivência amor e prazer.
como se fosse a primeira vez
tua e dela:
esse é um dos segredos
da manutenção do encanto
do amor e da vida.
Despi-la em sonhos
noites a fundo
nos silêncios das ausências.
Despi-la com os olhos
em seguida com as mãos
nos sigilos das presenças.
Tatuá-la com agulhas invisíveis
cobri-la de palavras doces
vesti-la com sorrisos e beijos
envolvê-la com tua própria pele.
Deuses, escambo mil vidas
por esses momentos mágicos
de convivência amor e prazer.
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