Poesias urbanas, do cotidiano, da natureza das coisas, são temas do poeta. Seu universo poético varre, principalmente, os poemas curtos, incluindo haicais e aldravias, além de outros, sínteses de variadas inspirações filosóficas e mundanas.
sábado, dezembro 21, 2013
RELEITURAS ROSEANAS 15
"A gente se esquece -
e as coisas lembram-se da gente".
A gente se duvida sempre
e a dúvida se azoa da gente.
A gente se amiúda no caráter
e o caráter se agiganta
no interior da estreiteza
no arrebento das valentias
enrugando sobrancelhas.
A gente se arrepia nas dores,
as dores de todas as marias
e de todos os josés:
as dores impermanecem
em almas não querentes.
A gente se esfacela em pedregulhos,
calcáreos quebradiços ou quartizitos,
nas enduranças das trajetórias,
nas sílicas batalhas diárias
entubando de pedras as vesículas.
Mas a gente se alegra
por um nadinha de nada:
olhar de soslaio da amada,
sorriso de clarices e patrícias,
água fresca na talha,
eletrocardiograma preciso na tela,
poesia boa na panela.
Coisas borbulhantes de dentro
nunca se esquecem do jeito
que o amor se arrebenta no peito.
quinta-feira, dezembro 12, 2013
OBJETOS 52
Objetos para mudanças de ciclos:
anel de aço cirúrgico
como símbolo de nova vida;
agenda de couro estilizada
onde novos encontros são marcados;
prancha sintética ergométrica
para surfar em desconhecidas ondas.
terça-feira, dezembro 10, 2013
NOTAS DE LEITURA EM REVISTA DE BORDO 20
1. A verdadeira culinária afetiva brasileira está no interior, nos grotões do país. Quem viaja pelos grandes centros, como eu, tem apenas uma ligeira noção dessa gastronomia, nos bons restaurantes metropolitanos, às vezes temáticos, geralmente muito caros. Ou nos livros de receita.
2. Eduardo Coutinho, documentarista, ganha restrospectiva em livro. Não mereceria um bom documentário, também?
3. Jota Quest, uma banda (boa) de músicos brancos (quem é branco neste brasil?) de classe média, lança disco black. Som de periferia. O mundo negro se infiltra nas artes, principalmente. Infelizmente não acaba com o racismo.
4. Arte de vanguarda ou retrospectiva? Seja qual for nossa preferência em algum museu de arte ou espaço de exposição no Brasil, a encontramos. É só seguir a faixa amarela na calçada de nossas vidas.
5. Enquanto se voa se aprende e se medita (opcionais as duas coisas, claro). Mas a comidinha aérea continua triste.
6. Um surfista brasileiro salvou outro surfista (uma surfista) de morte certa e ainda pegou a onda recorde, mais de trinta metros, em Nazaré, Portugal. Alguns brasileiros vão além dos limites. E eu nem sabia que tem onda tão grande em Portugal. Ou são os pátrícios fazendo onda?
7. Stanley Kubrick em exposição no Museu de Imagem e do Som, no rio de Janeiro. Vale a pena.
8. Não dá mais para saber como cidades grandes, como Belo Horizonte, modificam suas paisagens. Aquele andar aleatório antes possível, que fazíamos a qualquer hora do dia ou da noite, não existe mais. Aos dias, trânsito maluco, à noites, perigo de violência. Ser poeta dos deslocamentos urbanos hoje em dia está difícil.
9. Minha bicicleta fez quarenta anos. Para comemorar fui de bike de Londres a Paris, não com ela, com a outra. Infidelidade devido ao transporte, mas a homenageada era ela. Breve nos blogues do ramo.
10. O mar e uma jangada. Sempre hipnotizam.
11. O silêncio de São Paulo em fins de semana é perturbador e confortador ao mesmo tempo.
12. Certa vez assisti Daniela Mercury em teatro em Paris. Não me encantou. Anos depois a assisti de novo em São Paulo, no Ano Novo da Paulista. Boa, mas continuou não me encantando. Agora dá lições de coragem para o Brasil, não por causa da música, por causa de um relacionamento. Agora sim,, me encantou.
13. O vento que venta aqui, qualquer dia venta lá onde o sol te acalenta. Siga o vento e surpreenda-se.
sexta-feira, novembro 29, 2013
CURTA 223
Desci e subi escadas
de minha hipnótica imaginação.
Escolhi imagens da vida
para guardar bem fundo
outras para espalhar pelo mundo.
As portas se abriram
e o mundo esperava por mim.
CURTA 222
Entrei trôpego no fundo do mar
saí sóbrio mais que molhado ao acordar.
Na dança dos golfinhos sonhei
nos sonhos abissais solicitei
à vida, em ciclos, que viva
sua morte que os ocasos ativa.
CURTA 221
Ella tinha seus olhos vendados
como eu também os meus tinha.
Os olhos não viam
mas narizes e mãos se usavam
as bocas apenas se falavam
e os corações sentiam.
Horas depois a reconheci
entre tantas mulheres.
CURTA 220
Dou-te como presente
um pensamento simples:
o tempo não existe.
Apenas seus silêncios genéricos
e um pequeno ruído
da areia descendo a ampulheta
ou do pingar das clepsidras.
Assinar:
Comentários (Atom)