segunda-feira, julho 22, 2019

RELEITURAS ROSEANAS 33


O sertão: esses seus vazios
Carregam segredos das pedras
E o indizível silêncio de dentro
Do oco do vão dos buracos.

O sertão: pássaros calculam
O completo giro da lua
E um punhado quente de vento
Sopra entre duas palmeiras.

O sertão: à noite vem
E o céu embola seus brilhos
Trazendo saudades de ideias
Levando saudades de coração.

O sertão: perto de suas águas
Até eu me sinto feliz
E o barulho de pés em gotas
Me faz entrar no rastro dela.

O sertão: tem lua recolhida
Grande dentro de mim
Tem conversa continuada
Noite em mim, adentro.

quarta-feira, julho 17, 2019

RELEITURAS ROSEANAS 32


O sertão me espera
Com um céu azul e branco
E um caboclo nas nuvens
Apontando-me o caminho.

O sertão me encontra
De cerrados abertos
Com presépio eterno
E carrancas domadas.

O sertão se encaixa em mim
Como peça de montar,
Como chamego de mulher
E sorriso de menina.

O sertão se move em mim
Como vento que chega manso
No aconchego da noite
Movendo lua e estrelas.

O sertão permanece em mim
Como prótese no osso
Artrose de muitas juntas,
Chama queimando meu umbigo.

O sertão já está em mim.


segunda-feira, junho 24, 2019

RELEITURAS ROSEANAS 31


O rio tão a brabas vai
Mas o rio é paz das águas
Aquela paz que volta e meia
Uma lua volteia e dela sai
E salteia na fase cheia.
Tempo bom de curar mágoas.

segunda-feira, junho 17, 2019

(IN) SEGURANÇA


Para sua (in) segurança
Você está sendo:
Filmado
Fotografado
Grampeado
Pintado
Grafitado em muro
Observado
Avaliado
Conferido
Vigiado dia e noite.
Descuide-se à vontade.

terça-feira, junho 04, 2019

7 – POEIRA CÓSMICA


Sou poeira de estrela
Trazida pela tempestade
No ventre, à luz de vela
Em canto escuro da cidade.

Sou do tempo de andar de trem
De capital à beira mar
Muito bom lá pensar
Novas ideias trazidas do além.

É no vagaroso do rio,
De água antes aprazível,
Que sinto a dor correr fio
De sua veia, visível.

A dor maior é da ideia
Que corre o corpo, sem dor,
Mas sangra na cheia
Do rio, hoje sem pescador.

O trem virando a curva
Leva também um tanto de amor
Que se dilui na água da chuva
Espalhando-se no sopro de calor.