sábado, setembro 30, 2006

Vidas e corridas


A vida é uma tomada de tempo
de qualquer corrida
seja de cavalos
ou de carros velozes.

Você pode ir rápido
ou desacelerar.
No fim dá tudo no mesmo:
é uma questão de estilo
e de potência do propulsor.

Estou numa fase de desacelerar

mas eu me recuso
a não passar a reta de chegada
numa colocação honrosa.

segunda-feira, setembro 25, 2006

respostas virtuais

Respostas virtuais aparecem
do corriqueiro da vida
do rastapé cotidiano
dos olhares pelas janelas indiscretas
do beabá das inocências perdidas
da decodificação do livro da natureza
(preciso aprender a ler).

Este poema pretende-se
clássico de humor mestiço
respostas não existem
só perguntas merecem
um pouco de nossa atenção.

Metáforas áridas

Não sou árido nem úmido
Dostoiévsky é árido
Tostói é úmido.
Impossível transformar
Mundo e vida
Simultaneamente
Sincronicidade inexistente
Temporalidade renitente
Cronografias rabiscadas
Em papel de parede
Marcas de acidez
De vidas relutantes
Ensaios perdidos
Em memórias incansáveis
Passado e futuro se aproximam
No dia de hoje
Mundo e vida
Dentro e fora do corpo
Tais elásticos dialogam
Tensões existenciais inexplicáveis
Entre meu eu
E meus calangos.
Metáforas áridas impossíveis.

Luz e sombra

Desorientação
Dúvida
Descoberta
Surpresa
Sequência natural da busca
Luz e sombra se aproximam
Nas frestas imaginárias
Onde passa a perfeição
Eclipses não descortinam
Veredas
Relações nos pontos de inflexão
Ganham pontos de interrogação:
Voltas longas por trás das montanhas
Ou atalhos pelos túneis escuros
Encontro com novas luzes no final?

sexta-feira, setembro 22, 2006

Linha torta



Eu sou a linha torta
perdida nos planos inclinados
rabiscada por mãos incrédulas
invejosas de retas
e pontos de exclamação!

O que eu prometo
de vez em quando eu cumpro.
O que eu solfejo
de vez em quando vira música
de tocar nos bailes.

Tenho fome de mim
e de tudo que se prenuncia
para depois do fim
dos recitais das cortes
do rei sol primeiro
grande astro de luz

Encomendo sorrisos de sorrideiras
para o dia de meu nascimento.
Quero récitos e alegorias
de carnaval.
Que tudo recomece
principalmente as ilusões.


domingo, setembro 17, 2006

Pedalando bicicletas líquidas


A Terra é muito grande lá fora, cara!
Eu queria estar no país dos cafezais
Vejo plantações de trigo
Fico em meu quarto.
Não adianta procurar aqui fora
O que dentro está.

Homem é animal perdido no tempo
E no espaço de suas indiosincrasias
Não sabe seu lugar no mundo
Tem medo da morte
Reza para que ela demore.

Meus sonhos parecem durar horas
Mas tudo se passa em segundos
Significado da vida é vida
Porque tanta procura de significados
Escondidos sob as pedras
Na luz que emana do cérebro
No esquecimento da realidade
Nas frestas dos tijolos?

Nas frestas
Onde o olhar não penetra
Onde a poeira corrompe a arte
E sombras mostram limites.

Liberdade é para quem a vive
Pensa e pratica.
Não pode ser uma palavra no papel,
Talvez um quadro na parede
Ou sementes de girassol para pássaros.

Quero ver o mar
Transbordando em luz do amanhecer
(Um banho me fará bem)
Quem sabe rolar na areia
Sentir em casa
Em qualquer lugar da Terra.
Sinto-me ainda melhor
Pedalando nas águas
Bicicletas líquidas.

Boas músicas não são precisas
Deixam lugar para o inexplicável
E terminam em grandes silêncios
Como pretende esse poema.


Vida não tem bis


A vida é dura
Mas não tem bis
Então relaxa e goza.
Longe de casa
Rotina vira ao avesso.
Carrego o germe da poesia
Para plantá-la em outras praças
De outras cidades
No coração de outros povos.
Homens sensíveis são rotulados
Tão prontos
Como pessoas não normais.
Inveja de canastrões.