sábado, agosto 25, 2007

RELEITURAS ROSEANAS O4



Caminho ouvindo música

sigo até onde a canção me leva

desafobado

sossegado.

Calma artesanal

de quem fabrica vácuos

e cheira tolerâncias na atmosfera!


quinta-feira, agosto 23, 2007

O PÃO DO DIA



Hoje comerei o dia

salpicado de gotas de sol

regado a vinho do Porto.

Se estiver bom

como estará, eu creio,

partilha-lo-ei

com uma morena da serra

e a colibri de meu jardim.





quarta-feira, agosto 22, 2007

VINGT CENTIMETRES


Je suivis une femme dans les rues.

Peau claire, yeux noirs, cheveux noirs

corps fin, bouche grosse et plaine

et une très tremblante façon de marcher.

Métropoles multiple et polyvalent,

Il est difficile lier les gens à la ville.

Mais je la suivis par un détail:

une partie nue de son dos.

Vingt centimètres entre la mini blouse

et la ceinture de l’indigo blues.

Jolie dos

à bouger malicieusement

en marchant délicieusement.

Je la suivis par autant des rues

jusqu’au moment qu’elle entre

méfiante

dans une boutique.


SYNDROME DE VAMPIRE


Je m’amusait à me promener

dans les cimetières

à minuit.

Je m’habillait

de mon manteau noir

et avec mes grosses canines

je vampirait aux alentours

à séduire des jeunes filles

pendant mes courses noturnes.

Pour avoir une apparence normale

j’ai scié mes dents :

mais il me reste un énorme désir

par les beaux cols

et par le sang rouge

qui coule jusqu’à ma bouche

et qui apaise ma soif.


segunda-feira, agosto 20, 2007

LUGAR DE SONHO?











Um poema para quem adivinhar onde é: o lugar em si já é um poema.

sexta-feira, agosto 17, 2007

RELEITURAS ROSEANAS 03



Conversa de aranha não tece a teia
Calangos são quem me escutam
Linguajar de noturnas notas
Em minutos mansos da madrugada
Quando me aperfeiçôo em grandes causos
De se contar sem meias-palavras.

Arremesso-me nesses discursos
Arremedo-me nesses meus percursos
Com dotes de amansar leoas.
Asseguro-me que Marte não vire Lua
De encabular filósofos.

Neste passo vou me enveredando
Minha garça em graça de vôo até Viena
E a cana caiana se engarapa
De tão doce na garganta se encanela.
Um beijo estalante acalanta
No colo suave se assanha
Taramela de meu corpo se fecha
Encerrando sonhos e poemas acumulados
Em gavetas empoeiradas de minhas entranhas.


quinta-feira, agosto 16, 2007

RELEITURA ROSEANA 02


Tudo se amacia na tristeza
Pronto abandonada ao largo
Dos tristes trópicos:
Sei nada não.
Aquela saudade permanece abandonada
É na alegria que me reconheço!

Deixei minhas infâncias adormecidas
Naquelas matas montanhosas de minha cidade
De crescer e virar gente.
Maluquice de garoto amanhece o dia.

Quem me dera ver
O florescimento arrebatado
Daquele meio-dia?
Quantas horas de sol sobre a pele
De pintas e pelos de jaguatirica?

Quase felino caminho
Quase bicho cheiro
Quase mata verdejo
Quase peixe mergulho
Na clareza das águas rasas
Dos rios bronzes de pedra
Adormeço!