Poesias urbanas, do cotidiano, da natureza das coisas, são temas do poeta. Seu universo poético varre, principalmente, os poemas curtos, incluindo haicais e aldravias, além de outros, sínteses de variadas inspirações filosóficas e mundanas.
quinta-feira, outubro 25, 2007
Definições e perdas
Definições incluem perdas
assumem ausências
carências, ardências na pele,
querências.
Ao me definir me perco
ao me escolher, desapareço
ao aparecer, virtualizo-me
virtualizando-me, fluidifico.
Minha identidade
minha imagem
fotografia antiga em papel amarelo
ou retrato vivo na tela do computador.
Velhos se renovam.
Substantivos e outros substantivos
Você vai ao museu do relógio
para ver as horas?
Você vai ao museu da língua
para ver as falas?
Você vai à biblioteca
para ver o conhecimento?
Você vai ao templo
para ver deus?
Você vai à casa substantiva concreta
para ver substantivos abstratos?
Horas
falas
conhecimento
deus
abstratos
substratos do concreto edifício.
sábado, outubro 06, 2007
IMPONDERABILIDADES DE UM VERBO SÓ
Visto um terno
dou nó na gravata de seda
desço para a cozinha
faço arroz com feijão
como pão com manteiga e mortadela.
Miro a foto da morena
da serra morena
(será minha) e digo:
- eu dou nó na gravata
e como pão -
Simples assim
concreto assim
palpável assim.
Eu como pão com manteiga e mortadela
e arroz com feijão.
Depois faço do tirar a veste
um ritual pornofônico:
grito quando gozo.
Meus noventa quilos
pesam-me mais que o normal
não consigo emagrecer:
arroz com feijão,
pão com manteiga e mortadela
(de vez em quando acrescento
queijos, vinhos e picanhas na chapa)
o impedem.
Tento fazer poesia
escrevo imponderabilidades
de um verbo só.
segunda-feira, setembro 24, 2007
Sangue e alegria
Sentimentos paradoxais:
oposição de simbolismos
em torno do mesmo fato -
fuga de meu pássaro preto
sangra e alegra meu coração.
Sangra
por flecha certeira
atirada em meu peito
sobre ferida há muito tempo aberta.
Para não manchar de vermelho
o assoalho de meu tapiri
coloquei uma tijelinha
a aparar o sangue
de minha veia aberta:
realimento-me antes que transborde.
Alegro-me
pela soltura das amarras
de meu pássaro engaiolado.
Agora ele voa em outros varadouros
sobrevoa outros seringais
pousa em outras moradas
das serras morenas
de lianes entrelaçadas.
sábado, setembro 01, 2007
sábado, agosto 25, 2007
coração de mergulhador
Eu te amo sem preâmbulo
eu te sigo sem cão de guia
sem bússola nem pedrinhas
para me mostrar o caminho de volta.
não tenho afta
mas leio kafka
e como tabule no jantar
e penduro meu coração no escafandro
para que ele molhe no mergulho.
RELEITURAS ROSEANAS 05
Na terceira margem
eu cismo
me encarrego de sofismas
desempalpáveis.
Na terceira margem
minhas coragens se anuviam
e se arrependem
do desembainho da faca
cortante.
Na terceira margem
a esperança
se desalumia
no despropósito
de tristes palavras.
Mas eu sorrio
sou rio
na terceira margem
do rio.
Sou peixe
desentoco
no fugidio da pesca
nos entretraços da rede
no desenlace da façanha
de remar
e remar
e remar.
Embora vou-me
para a margem do meio.
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